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Hemille HoraFisioterapia Pélvica

Fisioterapia cardiorrespiratória para mulheres: o que é, para quem é e como funciona

Entenda o que é a fisioterapia cardiorrespiratória, como funciona a reabilitação cardíaca, o cuidado na DPOC e na asma e a relação entre respiração e assoalho pélvico.

Hemille Hora7 min de leitura
Mulheres praticando exercícios em grupo em um estúdio

Quando se fala em fisioterapia, muita gente pensa em joelho, coluna ou, no caso deste site, em assoalho pélvico. Mas existe uma área da fisioterapia dedicada ao coração e aos pulmões, e ela tem muito a ver com a saúde da mulher: a fisioterapia cardiorrespiratória. É ela que acompanha quem passou por um infarto ou por uma cirurgia cardíaca, quem convive com doença pulmonar crônica ou asma e quem precisa reaprender a respirar e a se movimentar com segurança.

Neste artigo, explicamos o que é a fisioterapia cardiorrespiratória, para quem ela é indicada, como funciona a reabilitação cardíaca e por que a respiração é uma ponte natural entre o coração, os pulmões e o assoalho pélvico.

O que é a fisioterapia cardiorrespiratória

A fisioterapia cardiorrespiratória é uma especialidade reconhecida pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO). Ela cuida da função do coração, dos pulmões e dos músculos que participam da respiração e do esforço físico, com o objetivo de recuperar a capacidade de fazer as atividades do dia a dia com menos falta de ar, menos cansaço e mais segurança.

Na prática, isso significa avaliar como você respira, quanto consegue caminhar ou subir escadas sem sintomas, como o coração e a pressão arterial respondem ao esforço e quais músculos estão limitando o seu movimento. A partir daí, monta-se um programa de exercícios e técnicas respiratórias, sempre alinhado ao acompanhamento do cardiologista ou do pneumologista.

Para quem a fisioterapia cardiorrespiratória é indicada

As situações mais comuns no consultório são:

  • Após infarto, angioplastia ou cirurgia cardíaca, como ponte de safena ou troca de válvula;
  • Insuficiência cardíaca estável, com cansaço e falta de ar aos esforços;
  • Hipertensão arterial, como parte do tratamento não medicamentoso;
  • Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), bronquiectasias e sequelas de infecções respiratórias;
  • Asma, para melhorar a tolerância ao exercício e o controle da respiração;
  • Pós-operatório de cirurgias abdominais e torácicas, para prevenir complicações respiratórias;
  • Mulheres na gestação, no pós-parto ou na menopausa que precisam retomar ou iniciar exercícios com segurança cardiovascular.

A doença cardiovascular é a principal causa de morte entre mulheres no Brasil e no mundo, e os sintomas em mulheres costumam ser menos típicos, o que atrasa o diagnóstico. Por isso, a reabilitação e a prevenção têm um papel especialmente importante na saúde feminina.

Reabilitação cardíaca: como funciona

A reabilitação cardíaca é um programa estruturado, recomendado pelas diretrizes brasileiras e internacionais para quem teve um evento cardíaco ou passou por cirurgia. Ela é dividida em fases.

Fase 1: ainda no hospital

Começa nos primeiros dias após o evento ou a cirurgia, com exercícios leves, técnicas respiratórias e orientações para sair da cama e caminhar com segurança. Minha experiência hospitalar vem justamente dessa etapa.

Fase 2: os primeiros meses após a alta

É a fase supervisionada. Ao longo de cerca de três meses, o exercício é progredido com monitoramento da frequência cardíaca, da pressão arterial, da saturação de oxigênio e da percepção de esforço. O programa combina exercício aeróbico, fortalecimento muscular, treino respiratório e educação sobre fatores de risco, alimentação, sono e uso correto das medicações prescritas pelo médico.

Fase 3: manutenção e autonomia

Com a condição estabilizada, o objetivo é que você consiga manter o exercício de forma independente ou com supervisão mais espaçada, seja em casa, na academia ou na orla de Salvador. A fisioterapeuta ajuda a ajustar a intensidade e a reconhecer sinais que pedem atenção.

Estudos reunidos pela American Heart Association e pela Sociedade Europeia de Cardiologia mostram que a reabilitação cardíaca está associada a menos internações e melhor qualidade de vida, mas ainda é pouco encaminhada, especialmente para mulheres.

Pós-cirurgia cardíaca: o que o corpo precisa

Depois de uma cirurgia cardíaca, o esterno e a musculatura do tórax precisam de tempo para cicatrizar, e a respiração costuma ficar curta e superficial por causa da dor e do medo. A fisioterapia orienta a respiração profunda, a tosse protegida, o cuidado com a cicatriz, os movimentos de braço que podem ou não ser feitos nas primeiras semanas e a retomada gradual das caminhadas.

DPOC, asma e treino dos músculos respiratórios

Nas doenças pulmonares, a fisioterapia trabalha em duas frentes. A primeira é o exercício físico adaptado, que melhora a tolerância ao esforço mesmo quando o pulmão não muda. A segunda é o treino dos músculos respiratórios, principalmente do diafragma, com aparelhos que oferecem resistência à inspiração. Esse treino tem evidência para reduzir a falta de ar e aumentar a força respiratória em pessoas com DPOC e em outras condições que enfraquecem o diafragma.

Na asma, a fisioterapia ensina padrões respiratórios mais eficientes e orienta o exercício de forma que ele não desencadeie crises.

Respiração, diafragma e assoalho pélvico: a ponte entre as duas áreas

O diafragma, o principal músculo da respiração, e o assoalho pélvico funcionam como o teto e o chão de uma mesma caixa: o abdômen. Quando você inspira, o diafragma desce e o assoalho pélvico cede levemente; quando expira, os dois sobem juntos. Uma respiração curta, presa no peito, ou uma tosse crônica alteram essa coordenação e aumentam a pressão sobre a pelve.

É por isso que mulheres com DPOC, tosse crônica ou asma mal controlada têm mais escape de urina, e por que o trabalho respiratório faz parte de qualquer treinamento do assoalho pélvico bem feito. Cuidar da respiração é cuidar da pelve, e vice-versa. Essa é a razão de a fisioterapia cardiorrespiratória fazer parte do meu trabalho com mulheres.

Sinais de alerta que pedem avaliação médica

A fisioterapia cardiorrespiratória nunca substitui o cardiologista ou o pneumologista. Alguns sinais exigem atendimento médico, e em alguns casos de emergência, antes de qualquer exercício:

  • Dor, aperto ou queimação no peito, no braço, no pescoço, na mandíbula ou nas costas, principalmente ao esforço;
  • Falta de ar súbita ou que piora ao deitar;
  • Palpitações com tontura ou desmaio;
  • Inchaço rápido nas pernas ou ganho de peso em poucos dias;
  • Lábios ou dedos arroxeados, ou saturação de oxigênio baixa;
  • Pressão arterial muito alta com dor de cabeça forte ou alteração da visão.

Em mulheres, o infarto pode se apresentar como cansaço extremo, náusea, suor frio e falta de ar sem dor clássica no peito. Na dúvida, procure a emergência.

Como é o atendimento em Salvador e online

A avaliação inclui a sua história clínica, exames e laudos do cardiologista ou pneumologista, medidas de pressão, frequência cardíaca e saturação, um teste de caminhada e a avaliação da respiração e dos músculos respiratórios. A partir disso, você recebe um programa com metas claras, progressão segura e critérios para interromper o exercício. O trabalho é sempre em conjunto com o seu médico, que define a liberação e os limites.

Sessões presenciais são indicadas nas fases que exigem monitoramento. O acompanhamento online funciona bem para orientação de exercícios domiciliares, treino respiratório e educação em condições estáveis, com liberação médica.

Perguntas frequentes sobre fisioterapia cardiorrespiratória

Preciso de encaminhamento do cardiologista?

Para reabilitação cardíaca após evento ou cirurgia, sim: o programa depende da liberação e das informações do médico. Para queixas respiratórias e para orientação de exercício em condições estáveis, você pode agendar diretamente, e eu solicito avaliação médica quando necessário.

Exercício é seguro para quem tem problema no coração?

Quando prescrito e progredido de forma adequada, o exercício é parte do tratamento das doenças cardíacas e é recomendado pelas diretrizes. O que torna o exercício seguro é a avaliação prévia, o monitoramento e o respeito aos limites definidos pelo médico.

Tenho asma. A fisioterapia pode reduzir as crises?

A fisioterapia não substitui a medicação, mas ajuda a controlar a respiração, a tolerar o exercício e a reconhecer os gatilhos.O controle das crises depende do tratamento médico combinado a esses cuidados.

Isso tem relação com a fisioterapia pélvica?

Tem. A respiração e o diafragma influenciam diretamente o assoalho pélvico. Muitas pacientes que chegam por queixas pélvicas se beneficiam do trabalho respiratório, e muitas que chegam por queixas respiratórias descobrem que também têm escape de urina ou tensão pélvica que merece cuidado.

Cuidar do coração e da respiração também é cuidar de você

Se você passou por um evento cardíaco, convive com uma doença pulmonar ou quer se exercitar com segurança e não sabe por onde começar, uma avaliação é o primeiro passo. Atendo presencialmente em Salvador e online. Entre em contato pelo WhatsApp para agendar a sua avaliação com Hemille Hora, fisioterapeuta, e vamos construir juntas um plano que respeite o seu coração, a sua respiração e a sua vida.

Referências

  • Carvalho T, et al. Diretriz Brasileira de Reabilitação Cardiovascular. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2020.
  • American Heart Association (AHA) e American Association of Cardiovascular and Pulmonary Rehabilitation (AACVPR). Cardiac Rehabilitation: scientific statements and core components.
  • European Society of Cardiology (ESC). 2021 Guidelines on cardiovascular disease prevention in clinical practice. European Heart Journal, 2021.
  • Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO). Resoluções de 2011 que reconhecem a Fisioterapia Cardiovascular e a Fisioterapia Respiratória como especialidades profissionais do fisioterapeuta.
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Escrito por

Hemille Hora

Fisioterapeuta pélvica (CREFITO 202560F) com 10 anos de experiência, atuação hospitalar, docente e preceptora. Atende em Salvador BA e online.

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