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Hemille HoraFisioterapia Pélvica

Menopausa e assoalho pélvico: ressecamento, urgência urinária e o que a fisioterapia pode fazer

Ressecamento vaginal, urgência urinária e sensação de peso não precisam ser aceitos em silêncio. Veja como a fisioterapia pélvica cuida da mulher na menopausa.

Hemille Hora6 min de leitura
Mulher madura sorrindo ao ar livre, representando bem-estar e autonomia na menopausa

A menopausa é uma fase natural da vida, mas as mudanças que ela traz ao assoalho pélvico raramente são discutidas com a atenção que merecem. Ressecamento vaginal, dor na relação, urgência para urinar, infecções urinárias de repetição e sensação de peso na região íntima são queixas que muitas mulheres consideram "parte do pacote" e que acabam aceitando em silêncio.

Não precisa ser assim. A fisioterapia pélvica tem muito a oferecer na perimenopausa e na pós-menopausa, tanto para tratar sintomas já presentes quanto para prevenir os que ainda podem surgir. Neste artigo, explicamos o que muda no corpo, o que a fisioterapia faz e como envelhecer com mais conforto e autonomia.

O que muda no assoalho pélvico com a menopausa

O estrogênio é um hormônio que cuida, entre muitas coisas, da saúde dos tecidos da vulva, da vagina, da uretra e da bexiga. Com a queda dos seus níveis, esses tecidos ficam mais finos, menos elásticos, menos lubrificados e mais sensíveis. A esse conjunto de alterações damos o nome de síndrome geniturinária da menopausa.

Ao mesmo tempo, a musculatura do assoalho pélvico perde massa e força com a idade, como qualquer outro músculo do corpo, e os ligamentos que sustentam os órgãos pélvicos ficam mais frouxos. O resultado é uma combinação de sintomas que se sobrepõem:

  • Ressecamento, coceira e ardência na vulva e na vagina;
  • Dor ou desconforto na relação sexual;
  • Urgência urinária e idas frequentes ao banheiro, inclusive à noite;
  • Escape de urina ao tossir, rir ou fazer esforço;
  • Infecções urinárias de repetição;
  • Sensação de peso ou de "bola" na vagina, que pode indicar prolapso.

Diferente das ondas de calor, que tendem a diminuir com o tempo, os sintomas geniturinários costumam progredir se não forem tratados. Por isso, quanto antes o cuidado começa, melhor.

Ressecamento vaginal e dor na relação

Muitas mulheres deixam de ter relações sexuais na menopausa não por falta de desejo, mas por dor. O tecido mais fino e seco gera atrito, ardência e pequenas fissuras. Com o medo da dor, o assoalho pélvico se contrai de forma protetora, e a relação fica ainda mais desconfortável.

A fisioterapia pélvica atua nesse ciclo de várias formas: com técnicas manuais para relaxar a musculatura e melhorar a elasticidade do tecido, com orientação sobre hidratantes e lubrificantes vaginais adequados, com dilatadores quando necessário e com estratégias para retomar a intimidade de forma gradual e prazerosa.

Quando indicado pelo ginecologista, a terapia hormonal local complementa muito bem esse trabalho. A conversa entre a fisioterapia e a medicina é essencial nessa fase.

Urgência urinária e bexiga hiperativa

A vontade súbita e intensa de urinar, muitas vezes com perda antes de chegar ao banheiro, é um dos sintomas mais limitantes da menopausa. Ela faz a mulher mapear todos os banheiros do shopping, evitar passeios longos na orla e acordar várias vezes à noite.

O tratamento na fisioterapia pélvica inclui:

  • Treino de bexiga: técnicas para adiar a micção de forma progressiva e recuperar o controle sobre a urgência, como no tratamento da incontinência urinária;
  • Contrações de supressão da urgência: uso do assoalho pélvico para inibir o reflexo da bexiga no momento da vontade;
  • Eletroestimulação: em especial a estimulação do nervo tibial, com boa evidência para bexiga hiperativa;
  • Ajuste de hábitos: distribuição dos líquidos ao longo do dia, redução de irritantes como cafeína e bebidas gaseificadas, e cuidado com a constipação.

Em Salvador, com o calor constante, a hidratação é um ponto delicado. Beber pouca água para evitar o banheiro concentra a urina e irrita ainda mais a bexiga. Ensinamos a hidratar de forma inteligente, sem piorar a urgência.

Infecções urinárias de repetição

Com o afinamento da mucosa e a mudança da flora vaginal na menopausa, a uretra fica mais vulnerável, e muitas mulheres passam a ter infecções urinárias frequentes. Além do tratamento médico, a fisioterapia pélvica contribui de forma prática: orientamos o esvaziamento completo da bexiga, corrigimos a postura no vaso sanitário, trabalhamos o relaxamento do assoalho pélvico para evitar resíduo de urina e ajustamos a hidratação e os hábitos íntimos.

Quando a musculatura está tensa demais, a bexiga não esvazia bem, e a urina que fica retida favorece a infecção. Tratar a tensão é, portanto, parte da prevenção.

Como começa o tratamento

A primeira consulta inclui uma conversa detalhada sobre seus sintomas, sua história de saúde, o uso ou não de terapia hormonal, sua rotina e seus objetivos. Em seguida, com o seu consentimento, avaliamos o assoalho pélvico, a qualidade do tecido, a presença de prolapso e a forma como o corpo se comporta ao esforço.

A partir daí, montamos um plano que combina sessões no consultório com exercícios e hábitos para casa. A rotina domiciliar é simples e leva poucos minutos por dia, mas é ela que sustenta os resultados.

Prevenção e tratamento do prolapso

O prolapso é a descida de um ou mais órgãos pélvicos, como bexiga, útero ou reto, em direção à vagina. Ele se torna mais frequente após a menopausa, e os graus leves e moderados respondem bem ao tratamento conservador.

O treinamento do assoalho pélvico reduz os sintomas e pode evitar a progressão. Orientações sobre como levantar peso, evitar esforço ao evacuar e ajustar o exercício físico também protegem a região. Quando indicado e ajustado pelo ginecologista, o uso de pessário, um dispositivo de suporte inserido na vagina, pode ser combinado com a fisioterapia.

Movimento, força e envelhecimento ativo

A menopausa também é o momento de investir em força muscular e saúde óssea. O assoalho pélvico participa disso. Um programa de exercícios que integra core, quadril, respiração e assoalho pélvico permite que a mulher continue caminhando na Barra, dançando, viajando e vivendo com autonomia por muitas décadas.

Nosso trabalho é adaptar o treino à sua realidade: se você tem osteoporose, se sente dor no joelho, se tem incontinência ou se nunca praticou atividade física. Cada plano é individual.

Perguntas frequentes sobre menopausa e assoalho pélvico

Já faço terapia hormonal. Ainda preciso de fisioterapia?

Sim. O hormônio melhora a qualidade do tecido, mas não fortalece o músculo nem corrige a tensão e a coordenação. As duas abordagens se complementam.

Tenho mais de 70 anos. Ainda há resultado?

Sim. A resposta ao treinamento muscular existe em qualquer idade. Mulheres na maturidade costumam ter ganhos significativos em continência, conforto e qualidade de vida.

É possível tratar o ressecamento sem hormônio?

Hidratantes vaginais de uso regular são a primeira opção não hormonal, e a fisioterapia contribui com técnicas manuais, exercícios e orientações que ajudam no conforto e na função. O quanto cada mulher melhora varia. A decisão sobre usar ou não hormônio é médica e depende da sua história de saúde.

Quanto tempo leva o tratamento?

Varia conforme os sintomas. Para queixas urinárias, as diretrizes recomendam ao menos três meses de treino; para o desconforto íntimo, o tempo depende da combinação com o cuidado médico. Depois, orientamos uma rotina de manutenção para preservar os ganhos.

Uma nova fase com mais conforto

A menopausa pode ser vivida com liberdade, prazer e autonomia. Se você convive com ressecamento, urgência urinária, escape de urina ou sensação de peso, saiba que existe um caminho de cuidado que respeita o seu corpo e a sua história. Atendemos presencialmente em Salvador, com fácil acesso para quem mora na Pituba, no Caminho das Árvores, no Itaigara e em bairros vizinhos, e também online. Entre em contato pelo WhatsApp para agendar a sua avaliação com Hemille Hora, fisioterapeuta pélvica.

Referências

  • The North American Menopause Society (NAMS). The 2020 Genitourinary Syndrome of Menopause Position Statement. Menopause, 2020.
  • NICE Guideline NG123: Urinary incontinence and pelvic organ prolapse in women: management (Reino Unido, 2019).
  • Hagen S, Stark D. Conservative prevention and management of pelvic organ prolapse in women. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2011.
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Escrito por

Hemille Hora

Fisioterapeuta pélvica (CREFITO 202560F) com 10 anos de experiência, atuação hospitalar, docente e preceptora. Atende em Salvador BA e online.

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