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Hemille HoraFisioterapia Pélvica

Fisioterapia pélvica na gestação: como se preparar para o parto com mais segurança

Saiba quando começar a fisioterapia pélvica na gestação, como funciona a preparação para o parto e como aliviar dores e escapes de urina na gravidez.

Hemille Hora6 min de leitura
Gestante praticando exercício suave de preparação para o parto em ambiente calmo

A gestação é uma fase de transformações intensas. O corpo muda semana a semana, o centro de gravidade se desloca, os hormônios deixam ligamentos mais frouxos e o assoalho pélvico passa a sustentar um peso cada vez maior. Em meio a tantas novidades, muitas gestantes em Salvador chegam ao terceiro trimestre com dores, escapes de urina e uma pergunta recorrente: como preparar o corpo para o parto?

A fisioterapia pélvica na gestação existe justamente para responder a essa pergunta com cuidado, ciência e acolhimento. Neste artigo, explicamos o que ela faz, quando começar e como pode tornar o parto e o pós-parto mais tranquilos.

O que muda no assoalho pélvico durante a gestação

O assoalho pélvico é o conjunto de músculos que fecha a base da pelve e sustenta bexiga, útero e intestino. Na gravidez, ele enfrenta três grandes desafios ao mesmo tempo:

  • O aumento progressivo do peso do útero, que pressiona a musculatura de cima para baixo;
  • A ação da relaxina e de outros hormônios, que deixam ligamentos e tecidos mais elásticos;
  • As mudanças de postura, com aumento da curvatura lombar e alteração no padrão respiratório.

Juntos, esses fatores explicam sintomas muito comuns: escape de urina ao tossir ou rir, sensação de peso na região íntima, dor na lombar e na região do púbis, constipação e desconforto nas relações sexuais.

A boa notícia é que o assoalho pélvico responde muito bem ao acompanhamento. Um músculo consciente, forte e capaz de relaxar faz diferença tanto durante os nove meses quanto na hora do nascimento.

Quando começar a fisioterapia pélvica na gestação

Com liberação obstétrica, o acompanhamento pode começar em qualquer momento da gestação. Muitas mulheres nos procuram no segundo trimestre, quando os enjoos diminuem e a energia volta. Outras chegam já perto do final, em busca da preparação para o parto.

De forma geral, sugerimos o seguinte caminho:

Primeiro e segundo trimestres

Foco em conscientização corporal, respiração, postura e prevenção. Aprendemos a perceber e a contrair corretamente o assoalho pélvico, cuidamos das dores que já apareceram e ajustamos a rotina de atividade física.

Terceiro trimestre

A partir da 32ª a 34ª semana, o trabalho ganha um foco específico: a preparação para o parto. É quando treinamos o relaxamento do períneo, as posições que ajudam a descida do bebê, a respiração para o período expulsivo e, quando indicado, a massagem perineal.

O que a fisioterapia pélvica faz na preparação para o parto

Preparar o corpo para o parto não é apenas fortalecer. Na verdade, na reta final o objetivo é o oposto: ensinar o assoalho pélvico a relaxar e a abrir passagem. Entre os principais componentes do acompanhamento estão:

  • Consciência do períneo: saber onde está e como funciona a musculatura que o bebê vai atravessar;
  • Treino de relaxamento e alongamento: técnicas para reduzir a tensão do assoalho pélvico e aumentar a elasticidade do tecido;
  • Massagem perineal: estudos indicam que, feita a partir de 34 a 35 semanas, pode reduzir a necessidade de sutura no períneo e de episiotomia, principalmente no primeiro parto, além de reduzir a dor perineal nos meses seguintes;
  • Respiração e puxo espontâneo: aprender a acompanhar a vontade de empurrar usando a expiração, sem prender o ar, de forma eficiente e protetora para o períneo e a bexiga;
  • Posições e movimentos: mobilidade de quadril, uso da bola suíça, agachamentos adaptados e posturas que favorecem a rotação e a descida do bebê;
  • Manejo da dor no trabalho de parto: massagem, banho quente, movimento e estratégias não farmacológicas que a gestante e o acompanhante podem usar.

Esse trabalho é útil para quem deseja o parto normal e também para quem terá cesárea. Um assoalho pélvico consciente e uma boa respiração facilitam a recuperação em qualquer via de nascimento.

Tratando as dores e os desconfortos da gravidez

Além da preparação para o parto, a fisioterapia pélvica cuida do que incomoda agora. Dor lombar, dor na articulação sacroilíaca, dor no púbis, câimbras, inchaço nas pernas e escape de urina são queixas frequentes e tratáveis com técnicas seguras para a gestação.

Em Salvador, o calor intenso e a umidade tornam o inchaço mais frequente, especialmente no verão. Exercícios de mobilidade, drenagem e orientações sobre hidratação e descanso com as pernas elevadas ajudam bastante. Também orientamos sobre a prática de atividade física: caminhadas no início da manhã na orla, hidroginástica e natação são excelentes opções para gestantes na cidade.

Prevenindo problemas no pós-parto desde a gestação

Um dos maiores benefícios de começar cedo é a prevenção. Estudos indicam que o treinamento do assoalho pélvico durante a gravidez reduz o risco de incontinência urinária no final da gestação e nos primeiros meses após o parto. Também há indícios de que gestantes que chegam ao parto com boa consciência do períneo e capacidade de relaxamento apresentam períodos expulsivos mais eficientes.

Além disso, a gestante que aprende a respirar, a ativar o abdômen profundo e a proteger a pelve nas atividades do dia a dia leva esse conhecimento para o puerpério. Levantar da cama, carregar o bebê, amamentar em boa postura e retomar os exercícios com segurança se tornam tarefas mais naturais quando o corpo já foi preparado.

Na prática, isso pode significar menos dor, menor risco de escape de urina e uma recuperação no pós-parto mais tranquila, seja qual for a via de nascimento.

A importância do acompanhamento especializado

Com dez anos de experiência, incluindo atuação hospitalar e docência, sabemos que cada gestação é única. Uma gestante com diástase prévia, outra com histórico de dor pélvica e uma terceira com incontinência antes mesmo de engravidar precisam de planos diferentes.

O acompanhamento gestacional especializado se integra ao pré-natal. Trabalhamos em diálogo com obstetras, doulas e enfermeiras obstétricas, respeitando o plano de parto da mulher e oferecendo informação para que ela tome decisões conscientes.

Perguntas frequentes sobre fisioterapia pélvica na gestação

A fisioterapia pélvica é segura durante a gravidez?

Sim, quando realizada por profissional habilitada e com liberação da equipe obstétrica. As técnicas são adaptadas a cada trimestre, e situações como placenta prévia, risco de parto prematuro ou sangramentos são sempre consideradas antes de qualquer intervenção.

Preciso fazer fisioterapia mesmo que vá fazer cesárea?

O acompanhamento é recomendado em qualquer via de parto. A cesárea também impacta o abdômen e o assoalho pélvico, e a gestante que chega ao final da gravidez sem dores, com boa consciência corporal e respiração treinada se recupera melhor da cirurgia.

Quantas sessões são necessárias?

Depende do momento em que você começa e dos seus objetivos. Muitas gestantes fazem sessões quinzenais no segundo trimestre e semanais no terceiro. O plano é sempre conversado e ajustado com você.

É possível fazer o acompanhamento online?

Boa parte da preparação para o parto, como respiração, posições, exercícios e orientações para o acompanhante, funciona muito bem online. Para avaliação manual do períneo e massagem perineal orientada, o atendimento presencial em Salvador é o ideal.

Prepare-se com quem cuida de você

Chegar ao parto com o corpo preparado e a mente tranquila é um presente que você pode dar a si mesma e ao seu bebê. Se você está gestante em Salvador, seja na Pituba, no Rio Vermelho, no Cabula ou em qualquer bairro da cidade, ou se prefere o atendimento online, entre em contato pelo WhatsApp para agendar a sua avaliação com Hemille Hora. Vamos construir juntas uma gestação mais leve e um parto mais seguro.

Referências

  • Beckmann MM, Stock OM. Antenatal perineal massage for reducing perineal trauma. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2013.
  • Woodley SJ, Lawrenson P, Boyle R, et al. Pelvic floor muscle training for preventing and treating urinary and faecal incontinence in antenatal and postnatal women. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2020.
  • ACOG Committee Opinion No. 804: Physical Activity and Exercise During Pregnancy and the Postpartum Period (American College of Obstetricians and Gynecologists, 2020).
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Escrito por

Hemille Hora

Fisioterapeuta pélvica (CREFITO 202560F) com 10 anos de experiência, atuação hospitalar, docente e preceptora. Atende em Salvador BA e online.

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