Pular para o conteúdo
Hemille HoraFisioterapia Pélvica

Pós-parto: quando começar a fisioterapia pélvica, diástase e recuperação do assoalho pélvico

Descubra quando iniciar a fisioterapia pélvica no pós-parto, o que é diástase abdominal e como recuperar o assoalho pélvico após parto normal ou cesárea.

Hemille Hora6 min de leitura
Mãe segurando o bebê no colo em momento de tranquilidade durante o pós-parto

O bebê chegou, a casa se encheu de visitas e a rotina virou de cabeça para baixo. No meio de tanta novidade, o corpo da mulher passa por uma das maiores transformações da vida, e quase ninguém fala sobre isso com a profundidade que merece. Escape de urina, sensação de peso na região íntima, barriga que "não volta", dor na cicatriz e desconforto nas relações são queixas frequentes no pós-parto, e muitas vezes recebem a resposta "é normal, vai passar".

Algumas coisas de fato melhoram com o tempo. Outras, não. A fisioterapia pélvica no pós-parto existe para que você não precise adivinhar em qual grupo você está. Neste artigo, explicamos quando começar, o que é diástase abdominal e como acontece a recuperação do assoalho pélvico.

O que acontece com o corpo no pós-parto

Independentemente da via de parto, a gestação já impôs meses de sobrecarga ao assoalho pélvico e ao abdômen. No parto vaginal, a musculatura do períneo se alonga de forma extrema, e podem ocorrer lacerações ou episiotomia. Na cesárea, há o corte de pele, fáscia e útero, com cicatrização que envolve várias camadas.

Nas primeiras semanas, é comum sentir:

  • Escape de urina ao tossir, espirrar ou levantar o bebê;
  • Dificuldade para segurar gases ou, em alguns casos, fezes;
  • Sensação de peso ou de "algo caindo" na vagina;
  • Dor ou aderência na cicatriz da cesárea ou da episiotomia;
  • Abdômen frouxo, com abaulamento ao sentar ou levantar;
  • Dor nas costas e no quadril relacionada às posições de amamentação.

Todos esses sinais merecem avaliação. Quanto mais cedo você entende o que está acontecendo, mais simples costuma ser a recuperação.

Quando começar a fisioterapia pélvica no pós-parto

Essa é a dúvida mais comum, e a resposta tem duas partes.

Nos primeiros dias

Já nas primeiras semanas, ainda no puerpério imediato, é possível receber orientações valiosas: como levantar da cama protegendo o abdômen, como cuidar da cicatriz, quais posições de amamentação poupam a coluna, como retomar a respiração diafragmática e como fazer contrações suaves do assoalho pélvico para estimular a circulação e a percepção. Nada de esforço, apenas consciência e cuidado. Esse contato inicial pode ser presencial ou online, o que facilita muito para quem ainda está em casa com o recém-nascido.

A partir da liberação médica

A avaliação completa, com exame do assoalho pélvico e da parede abdominal, costuma acontecer entre a quarta e a sexta semana após o parto, após a consulta de revisão com o obstetra. É nesse momento que montamos o plano de reabilitação propriamente dito.

E se já se passaram meses ou anos? Nunca é tarde. Atendemos mulheres que tiveram os filhos há muito tempo e ainda convivem com sintomas. O tecido responde ao treinamento em qualquer fase da vida.

Diástase abdominal: o que é e como tratar

A diástase é o afastamento dos músculos retos do abdômen, que se separam na linha média para dar espaço ao útero em crescimento. É um processo natural da gestação, presente na maioria das mulheres no final da gravidez. Em muitas, a distância diminui espontaneamente nos primeiros meses. Em outras, persiste e traz consequências.

Mais importante do que os centímetros de afastamento é a qualidade do tecido entre os músculos, chamado linha alba. Quando ele está frouxo e sem tensão, o abdômen perde a capacidade de gerar suporte, o que se relaciona com dor lombar, sensação de fraqueza, abaulamento ao esforço e, indiretamente, com sintomas do assoalho pélvico.

O tratamento da diástase na fisioterapia pélvica envolve:

  • Avaliação da parede abdominal em repouso e durante o esforço;
  • Reeducação da respiração e da relação entre diafragma, abdômen e assoalho pélvico;
  • Ativação do transverso do abdômen e progressão gradual de exercícios;
  • Ajuste de atividades do dia a dia, como carregar o bebê, levantar da cama e voltar aos exercícios;
  • Orientação sobre o que evitar no início, como abdominais tradicionais e pranchas sem controle.

Cintas modeladoras não tratam a diástase. Elas podem dar conforto nos primeiros dias, mas não substituem o trabalho ativo de reeducação.

Recuperação do assoalho pélvico

A reabilitação do assoalho pélvico no pós-parto segue etapas. Primeiro, resgatamos a percepção: muitas mulheres não conseguem sentir a contração após o parto. Depois, trabalhamos coordenação e resistência, sempre integradas à respiração. Por fim, progredimos para as demandas reais: correr, pular, pegar o filho no colo, voltar ao treino.

Quando há cicatrizes, o cuidado com o tecido faz parte do tratamento. Técnicas manuais de liberação e mobilização da cicatriz reduzem aderências, dor e a sensação de repuxamento, tanto na cesárea quanto na episiotomia.

Também abordamos a retomada da vida sexual. Dor, ressecamento e medo são muito comuns nos primeiros meses, e existem estratégias para tornar esse retorno mais confortável e no seu tempo.

Sinais que merecem atenção imediata

Alguns sinais pedem atendimento médico imediato, no obstetra ou na emergência, antes de qualquer sessão de fisioterapia:

  • Dor intensa na cicatriz, com vermelhidão, calor, secreção ou febre;
  • Sangramento vaginal que aumenta ou tem cheiro forte;
  • Dor ou inchaço em uma das pernas, falta de ar ou dor no peito.

Outros sinais não são emergência, mas merecem avaliação da fisioterapeuta pélvica sem esperar a consulta de revisão:

  • Perda de fezes ou incapacidade de segurar gases após o parto;
  • Sensação de abaulamento na vagina que aumenta ao final do dia ou ao ficar em pé;
  • Dificuldade persistente para urinar ou sensação de esvaziamento incompleto;
  • Dor que impede as atividades básicas de cuidado com o bebê.

Nesses casos, quanto mais cedo o cuidado começa, melhor costuma ser a evolução.

Voltar a se exercitar com segurança

Salvador convida ao movimento: caminhar na orla, correr no Jardim de Alah, nadar na Barra, dançar. Mas a volta ao exercício de impacto precisa respeitar a recuperação. Correr ou pular com o assoalho pélvico ainda frágil pode desencadear ou piorar incontinência e prolapso.

Nosso papel é dizer com clareza quando você está pronta para cada etapa, com base na avaliação, e não apenas no calendário. Em geral, atividades de baixo impacto voltam primeiro, e o impacto entra de forma progressiva, com testes específicos de prontidão. Como referência, as recomendações internacionais sugerem não retomar corrida e impacto antes de 12 semanas após o parto, e sempre após avaliação do assoalho pélvico. Se houver escape de urina ao correr, isso é sinal para ajustar o plano, não para insistir.

Perguntas frequentes sobre fisioterapia pélvica no pós-parto

Fiz cesárea. Preciso de fisioterapia pélvica?

Sim. A cesárea não protege o assoalho pélvico da sobrecarga da gestação, e a cicatriz abdominal precisa de cuidados específicos. Mulheres que fizeram cesárea também apresentam diástase, incontinência e dor pélvica.

Ainda estou amamentando. Posso fazer os exercícios?

Pode. Os exercícios são compatíveis com a amamentação. Vale lembrar que os hormônios da lactação podem manter o tecido vaginal mais seco e sensível, e isso é considerado no plano de tratamento.

Quanto tempo dura a recuperação?

Varia bastante. Muitas mulheres percebem melhora significativa em torno de oito a doze semanas de acompanhamento, mas a recuperação completa pode levar mais tempo, especialmente em casos de lacerações importantes ou diástase mais acentuada.

É possível levar o bebê para a consulta?

Sim. Sabemos como é difícil sair de casa nos primeiros meses. O consultório acolhe você e o bebê, e a opção online também está disponível para orientações e acompanhamento de exercícios.

Cuide de você também

O pós-parto é o momento de cuidar do bebê, mas também de cuidar de quem cuida. Se você está em Salvador ou prefere o atendimento online, entre em contato pelo WhatsApp para agendar a sua avaliação com Hemille Hora, fisioterapeuta pélvica. Vamos cuidar do seu corpo com respeito, ciência e acolhimento.

Referências

  • Woodley SJ, Lawrenson P, Boyle R, et al. Pelvic floor muscle training for preventing and treating urinary and faecal incontinence in antenatal and postnatal women. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2020.
  • Goom T, Donnelly G, Brockwell E. Returning to running postnatal: guidelines for medical, health and fitness professionals managing this population. 2019.
  • ACOG Committee Opinion No. 736: Optimizing Postpartum Care (American College of Obstetricians and Gynecologists, 2018).
Compartilhar: WhatsApp
Foto de Hemille Hora

Escrito por

Hemille Hora

Fisioterapeuta pélvica (CREFITO 202560F) com 10 anos de experiência, atuação hospitalar, docente e preceptora. Atende em Salvador BA e online.

Conhecer a Hemille

Continue lendo

Avaliação em Salvador ou online

Agende sua Avaliação